Os efeitos telúricos da eliminação da Itália do Mundial 2026 diante da Bósnia prometem fazer-se sentir durante muitos dias e depois de assente a poeira será tempo de fazer de novo. Mas desta vez há que «começar do zero», tal como pediu o presidente do Nápoles . «Não há que ter vergonha, no futebol, e neste caso, é preciso reconstruir tudo», afirmou Aurelio De Laurentiis, em declarações à rádio RMC.
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O momento é de choque. E de análise. O tema é nacional, como se de uma tragédia se tratasse. A seleção quatro vezes campeã voltou a ficar de fora de um Campeonato do Mundo pela terceira vez consecutiva, o que representa um problema estrutural e não apenas circunstancial.
Nesta quarta-feira não houve demissões, apesar de logo pela manhã o jornal La Gazzetta dello Sport ter noticiado que o selecionador, Gennaro Gattuso, pretende demitir-se. Mas há pedidos que valem tanto como as decisões mais drásticas.
O ministro do Desporto, Andrea Abodi, foi implacável, exigindo uma reestruturação profunda. «Hoje não é um dia normal. Não basta dizer fugir às responsabilidades ao dizer que se esperava mais das instituições. [Giancarlo] Abete [ex-presidente da Federação] saiu depois da desastrosa fase de grupos no Brasil [2014], o falecido Tavecchio [outro ex-presidente] fez o mesmo depois da eliminação frente à Suécia [2018] . Devemos avaliar toda a história dos últimos 20 anos, que nos trouxe muitas experiências negativas. O que devemos fazer é não voltar a cometer os mesmos erros», disse, em declarações públicas.
Para esta quinta-feira está prevista uma reunião dirigida pelo presidente da Federação Italiana de Futebol, Gabriele Gravina, com todos os altos representantes do futebol italiano: Serie A, B, C, a Liga Nacional de Futebol Amador, Associação Nacional de Futebolistas e Associação Nacional de Treinadores. De acordo com a imprensa local, será uma reunião marcada pela política e como é habitual nestes momentos também é expectável que rolem cabeças depois disto.
Mas não será desta nem de futuras reuniões que a questão de fundo se resolve. Itália padece de uma falta de qualidade geral de jogadores. De 2006, ano da conquista do Mundial na Alemanha, para 2026 foi-se perdendo valor. Basta lembrar que o único avançado que tem lugar atualmente numa liga do top 5 que não a italiana é neste momento Federico Chiesa – e mesmo assim está longe de ser titular no Liverpool .
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